A Catedral de Notre-Dame de Paris, relicário da Coroa de Espinhos de Cristo e de outras relíquias da Paixão

A Catedral de Notre-Dame de Paris é a catedral gótica mais famosa e mais visitada em todo o mundo. Famosa por ser pano de fundo para o Romance do monge Abelardo e sua aprendiz Heloísa, e também por ser palco do amor impossível de Quasímodo, o corcunda, pela cigana Esmeralda,  no romance clássico de Victor Hugo. Além de ser um monumento suntuoso, repleto de gárgulas e histórias góticas, a Catedral de Notre-Dame é lar das relíquias da Paixão de Cristo, tais quais a Coroa de Espinhos que Jesus Cristo foi forçado a usar pelos romanos, enquanto passava seus derradeiros momentos na prisão, e também um pedaço da Vera Cruz – A Cruz que foi carregada por Cristo ao Calvário e que se tornou símbolo da fé Cristã e do mundo ocidental.

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A adoração pelas supostas relíquias de Cristo remonta desde os primórdios da fundação do Cristianismo, uma vez que elas seriam provas materiais sobre a passagem de Cristo pela Terra. A Igreja Católica tem o costume de não só venerar as relíquias de Cristo, mas também relíquias de Santos importantes para o Catolicismo, como uma forma de aproximar os fiéis do divino, do místico, da santidade. De todas as relíquias, as relíquias da Paixão de Cristo são consideradas “Piéce de resistánce”, haja visto ter sido esse o momento que mudou a fé cristã e todo o mundo ocidental para sempre.

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O Evangelho de São Mateus (mt 26, 63-66) descreve o momento em que os soldados romanos cravaram a coroa de espinhos sobre a cabeça de Jesus e, sarcasticamente, proclamaram: “Salve o Rei dos Judeus”!!! Ao mesmo tempo em que essa coroa humilha e expande o sofrimento de Cristo, também serve como uma prova de sua realeza, atesta que ele era um Rei, um soberano. É dessa forma que Pôncio Pilatos o encara durante o julgamento derradeiro que selaria seu destino, fazendo-se cumprir a profecia. A coroa de Espinhos foi a primeira relíquia a ser venerada pelos fiéis na história da fé cristã.

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De Jerusalém a Constantinopla

Após ser citada no Evangelho de São Mateus, que relata o momento da deposição da Coroa de Espinhos sobre a testa de Jesus pelos soldados romanos, ela torna a ser citada no século IV por Paulin, amigo de Santo Agostinho e bispo, onde em uma carta endereçada a Santo Agostinho, em 409, ele atesta que a relíquia se encontra na Terra Santa, em Jerusalém e é rotineiramente adorada pelos fiéis, na Basílica do Monte Sião. Após a tomada de Jerusalém por Perses de Chosroés, em 614, as relíquias de Cristo são transladadas até Constantinopla, atual Istambul, antiga Capital do poderoso Império Romano do Oriente, onde permanece até o ano de 1238, ano em que o Imperador Baudoin de Courtenay negocia sua migração a Paris, na França. A conquista de Constantinopla na quarta Cruzada, que foi liderada pelo rei da França Luís IX, depois santificado como São Luís, marca a ida da relíquia até Paris. O Rei Luís IX construiu a Saint-Chapelle especialmente para abrigar as relíquias de Cristo e instituiu a liturgia para adoração da Coroa de Espinhos, que persiste até os dias de hoje. Luís IX traçou um paralelo entre a coroa de espinhos e a coroa dos próprios reis franceses, alçando a cidade de Paris como a mais importante cidade para o Cristianismo durante a Idade Média, por abrigar a relíquia mais importante da Cristandade. E ela permaneceu na Saint-Chapelle até o ano de 1791, onde devido a eclosão da Revolução Francesa e os saques e destruição de todos os templos cristãos, a relíquia foi transportada até a Basílica de Saint-Denis, local onde os reis franceses encontram-se enterrados. Devido aos saques e profanações nas tumbas dos reis franceses, a relíquia da Vera Cruz e da Coroa de Espinhos passa a ficar sob a tutela do Estado Francês, no Gabinete de Medalhas da Biblioteca Nacional em 1794. Enfim, em 1804, Napoleão Bonaparte, então coroado Imperador da França, ordena a migração das relíquias para a Catedral de Notre-Dame, na qual se encontra até os dias de hoje.

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Para os fiéis e Cristãos, a Santa Coroa de Espinhos e a Vera Cruz podem ser adorados em uma missa solene realizada mensalmente, na primeira sexta-feira de cada mês, as 15 horas, na Catedral de Notre-Dame. A relíquia pode ser tocada e beijada pelos fiéis, ficando sua proteção a cargo Da Ordem Dos Cavaleiros do Santo Sepulcro, uma das milenares ordens cavalariças derivadas dos templários.

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A Santa Missa Solene remonta as tradições e liturgia desde o século IV. Fazer parte dessa celebração é algo imperdível para os fiéis e cristãos que visitam Paris e cuja data de viagem coincida com a primeira sexta-feira do mês. Não é necessário fazer reserva prévia. Basta visitar a Igreja na hora combinada as 15 horas para assistir a Missa. Recomendo chegar uns 30 minutos antes para reservar um lugar, uma vez que a celebração é bem concorrida.

Carpe Diem!!!!

One Comment Add yours

  1. jose americo soares says:

    bem gótica, muito legal

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