Pompéia – Vestígios da Civilização Romana

Visitar as escavações e ruínas bem conservadas da cidade de Pompéia, no sul da Itália, vizinha a cidade de Nápoles, é como voltar no tempo da antiga civilização romana, em um tempo aonde o Império Romano dominava toda a Europa, o norte da África e grande parte do continente asiático. A tragédia que assolou a cidade no século 79 d.C, com a grande erupção do Vulcão Vesúvio, que soterrou a cidade sobre uma montanha de lava e escombros, dizimou uma população extremamente desenvolvida, mas também permitiu a grande conservação da cidade, das ruas, das casas, o que permitiu o estudo e observação acerca dos costumes de uma cidade, e permitiu se criar um retrato e uma idéia sobre um microcosmo da poderosa civilização romana.

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A cidade Pompéia era uma cidade extremamente desenvolvida, com cerca de 20 mil habitantes, sendo uma das maiores cidades ao sul da Itália, no período do Império Romano. Possuía um imenso porto, que lhe dava acesso facilitado ao comércio com as regiões da África e do Oriente, fazendo-a rivalizar com Roma em termos de desenvolvimento econômico e riqueza. Apesar desse desenvolvimento, fazia 800 anos que o vulcão Vesúvio encontrava-se adormecido, o que fez a população se esquecer completamente de que era construída aos pés de um enorme vulcão ativo. Grande parte dos registros sobre o acontecimento deriva de Plínio, O jovem, que em 79, estava em campanha com seu tio Plínio, o Velho, soldado romano, escritor e naturalista, nos arredores de cidade de Pompéia, quando avistaram a erupção do Vesúvio e resolveram se aproximar para averiguar se alguém havia sobrevivido. Plínio, o Velho, não resistiu a erupção do Vesúvio, porém o Jovem Plínio registrou todo o acontecimento em cartas para o imperador romano Tácito. Segundo consta, o vulcão entrou em erupção no dia 24 de agosto de 79, as 13 horas.

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Pompéia foi enterrada pela lama do Vesúvio, sua população praticamente foi extinta e a cidade foi esquecida. A cidade foi redescoberta no século XVI, porém as escavações que mostraram ao mundo uma cidade conservada e congelada no tempo só aconteceram em 1748, mostrando as casas, as pinturas no interior das casas, os grafites nos muros da cidade, os corpos petrificados das vítimas na posição em que se encontravam no momento da tragédia, a padaria da cidade, e até mesmo, o prostíbulo. Visitamos a cidade no mês de outubro, onde a temperatura é mais amena. Não contratamos guia para visitar as escavações. Visitamos a cidade por conta própria, já conhecíamos as principais atrações que queríamos visitar. Compramos o bilhete no momento da entrada, e adquirimos o mapa da cidade na própria bilheteria das ruínas. Compartilharemos as principais atrações que merecem ser visitadas e percorridas.

O anfiteatro grande é uma das primeiras atrações a ser visitada, fica localizado próximo a uma das entradas das escavações. Era um anfiteatro semicircular em estilo grego, com capacidade para 5.000 expectadores, que recebia espetáculos de gladiadores.

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A partir daí pode-se seguir pela Via dell’Abbondanza, que começa à partir do Forum, e era uma espécie de rua comercial da cidade e que contém uma série de casas e tabernas. Ela cruza com outra avenida principal de Pompeia, a Via Stabiana, onde encontra-se um dos maiores banhos públicos da cidade. Ali se encontra um dos pontos mais visitados de Pompeia, o Lupanare, o maior prostíbulo da cidade.

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O lugar é realmente minúsculo e ainda preserva os quartos onde os “serviços” eram prestados. Na verdade são verdadeiros cubículos, com uma cama de pedra – onde, acredito eu, devia haver algum colchão. Em cima de cada quartinho ainda vemos as pinturas eróticas, originais da época. Reza a lenda que era uma espécie de “cardápio”, embora haja vertentes que dizem que representavam a “atividade” praticada em cada cubículo.

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Termas Stabianas – Uma das mais bem conservadas de toda a Itália, ainda se pode ver bastante coisa, como os salões das piscinas e vestiários. Detalhe para a decoração das paredes, com estátuas de mármore. Era um costume muito comum no Império Romano o o uso das termas como banhos coletivos, sem conotação sexual, uma forma de socialização entre as pessoas.

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IMG_3746.JPGTeatro Piccolo – Uma cópia em menor escala do vizinho Teatro Grande, possuía um palco onde eram apresentados espetáculos de música, leitura de poesias e peças de teatro. Tinha capacidade para 800 pessoas e era coberto.

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Galpão – Aqui há uma série de peças arquivadas em prateleiras, parecendo mais uma espécie de “arquivo arqueológico”. Há vasos, ânforas, frisos e estátuas expostos ali, que podem ser vistos através de uma grade. Impressionante visualizar os moldes dos corpos, com destaque para o impressionante rapaz sentado todo encolhido, em posição de oração, como que implorando aos deuses pela sua vida.

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Aliás, o que mais se encontra em Pompéia são os moldes corpos das pessoas que foram vítimas do Vesúvio. Essa técnica simples e genial, criada por Giuseppe Fiorelli no século 19, permitiu identificar os corpos e mantê-los na posição em que se encontravam no momento de sua morte. Após invadir a cidade de Pompeia, as cinzas escaldantes do Vesúvio se depositaram sobre as ruínas da cidade (e dos corpos das vítimas) e logo em seguida resfriaram e petrificaram – tal como se jogássemos um cimento. Com o passar dos anos, os corpos entraram em decomposição, sobrando apenas os seus ossos e o espaço em que eles ocupavam – que acabou gerando uma espécie de molde natural. Quando os arqueólogos descobriam a presença de alguns desses “moldes”, faziam uma pequena abertura e injetavam gesso lá dentro até preencher todo o espaço vazio. Uma vez seco, eles continuavam a escavação até desenterrar o molde pronto do corpo daquela vítima.

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Casa de Fauno – Era a maior casa da cidade, uma espécie de Villa, aonde viviam as pessoas mais abastadas da cidade. Não se sabe ao certo a quem pertencia, mas seu nome se deve à presença de uma pequena estátua do deus Fauno no centro do pátio de entrada da casa. É possível entrar nas ruínas da mansão e ver de perto como era a disposição de uma casa abastada da Roma Antiga, com vários pátios internos, fontes e jardins, rodeados por salas e quartos. Tinha até uma termas particular. Além da estátua dançante de Fauno, destaco os mosaicos do chão da casa e os resquícios das antigas colunas e frisos, que enfeitavam o edifício.

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Panifício – Um dos lugares interessantes em Pompéia é essa área que funcionava como uma paneteria na cidade. Há outras pela cidade, mas essa chamou a atenção dos arqueólogos por ter sido encontrada relativamente inteira. Inclusive,  eles encontraram pães carbonizados no local. Adentrando a ruína da padaria, ainda podemos ver o forno onde o pão era assado e os moinhos, onde os padeiros trituravam os grãos.

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Macellum – Era o antigo mercado de alimentos de Pompeia. Com paredes bem preservadas. Aqui é possível entrar no edifício, que possui um espaço central em formato de dodecaedro e bases de colunas – onde se acredita que era a peixaria do lugar. Ao fundo, ficavam os mercados de carne e uma sala dedicada à Família Imperial.

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O Fórum de Pompéia era a principal avenida da cidade, local onde ficavam as grandes construções e os grandes templos, tal qual o fórum Romano em Roma. Destaque para o Templo de Apolo. Pesquisas arqueológicas revelaram que era um dos principais da cidade, já que Apolo era outro padroeiro de Pompeia. Hoje, vemos as paredes do entorno, os restos do pórtico que o rodeava (com as ruínas dos frisos e das colunas), o pódio onde ficava o templo e a base das paredes, com algumas colunas. Outros destaques são: a réplica de bronze da estátua de Apolo próximo ao pórtico lateral e uma coluna branca ao lado do templo, onde existia um relógio solar no topo.

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Estando de frente para o Templo de Júpiter e passando pelo arco triunfal da direita, chegamos à Via del Foro. Nela, há outros edifícios delimitados por paredes intactas.

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Pompéia fica perto de Nápoles. Preferimos ir de táxi do centro de Nápoles, onde estávamos hospedados, até as escavações. Existem ônibus que levam até a cidade, que dista 22km do centro de Nápoles. Algumas pessoas fazem bate-e-volta a partir de Roma, mas acreditamos que fica bem cansativo, já que a viagem de Trem de Roma a Nápoles dura cerca de 1 hora e 40 minutos.

Carpe Diem!!!

 

 

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