Amsterdam – Terras baixas, Anne Frank, canais, bicicletas e “otras cositas” mais

Amsterdam talvez seja uma das cidades mais surpreendentes e peculiares do mundo: surpreendente pela sua beleza, as flores, os canais que a cortam de fora a fora e, principalmente, pelo nível civilizatório avançado do povo holandês. Peculiar porque tudo isso interage e coabita, sem a menor hesitação ou estranheza, com a legalização da prostituição e das drogas. Na mesma rua aonde passeiam famílias, mães com carrinhos de bebê, estão expostas nuas ou seminuas em vitrines, as mulheres que se prostituem para ganhar a vida. E estão legalizadas. Têm direitos e deveres, pagam impostos!!! E no mesmo distrito aonde está uma das igrejas mais antigas de Amsterdam, um bairro histórico, nobre e turístico, estão os coffe-shops aonde algumas drogas, reitero, algumas drogas (haxixe e marijuana) podem ser utilizadas. O incauto viajante pode pensar  então que Amsterdam seja uma cidade própria para orgias desenfreadas e consumo de drogas liberados e banalizados!!! Não é bem assim! Tudo isso é feito segundo leis extremamente rígidas! Drogas não podem ser utilizadas ao ar livre! Quem fizer isso, pode ser detido e preso! Aliás, nem consumir bebida alcoólica em público é permitido! Senão, cana!!! Isso que a torna peculiar: por trás de um suposto grau de liberdade e liberalização, regras e leis são minuciosamente cumpridas. Aí está o aspecto de desenvolvimento civilizatório do povo holandês, conforme salientamos previamente.

IMG_7113

Amsterdam é o centro nervoso da Holanda, mas não é a capital político-administrativa do país. A capital administrativa da Holanda é a cidade de Haia, a qual detalharemos em outro post posteriormente. Possui cerca de 770 mil habitantes, 165 canais e quase 1200 pontes!!! Seu nome deriva do rio Amstel, que cruza e corta toda a cidade. A fundação oficial da cidade se deu em 27 de outubro de 1275. Amsterdam foi uma das grandes cidades que fez parte da liga Hanseática, que fazia livre comércio com várias cidades alemães da região de Flandres. A Holanda conseguiu sua independência da Espanha no século XVI, após quase 80 anos em guerra com esse país, Amsterdam floresceu como uma das cidades mais ricas e desenvolvidas do mundo ocidental, no século XVII, conhecido como o século de ouro de Amsterdam. Os comerciantes de Amsterdam possuíam a maior parte da Companhia Holandesa das Índias Orientais (Vereenigde Oostindische Compagnie ou VOC em holandês) e da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West-Indische Compagnie ou WIC). Essas companhias instalaram-se em países que passaram a ser colônias da Holanda. Nessa época Amsterdam era o principal porto comercial da Europa e centro financeiro mais importante do mundo. A Bolsa de Valores de Amsterdam foi a primeira a funcionar diariamente.

DSC_0768

A cidade é linda e fotogênica em todos os ângulos

Depois veio o século XX, e todas as tragédias que assolaram todo o continente Europeu. Foram anos tensos e beligerantes! Amsterdam passou ao domínio alemão durante a segunda guerra mundial e foi palco de um dos livros mais incisivos e autobiográficos sobre a tragédia desse período: O diário de Anne Frank. E a casa de Anne Frank está lá, intacta e aberta a visitação, aonde se pode entrar no mundo dessa garota judia pré-adolescente, morta nos campos de concentração, cerca de 1 mês antes do fim da guerra e da libertação dos campos. Triste e fatídico fim.

DSC_0634

Fila em frente ao Museu Casa de Anne Frank no bairro Jordaam

Mas Amsterdam, como toda a Europa, sobreviveu e floresceu após os horrores da guerra. É uma cidade linda, vibrante, cuja visita é não somente válida, como também necessária. Vamos tentar subdividir os posts de Amsterdam segundo os distritos e bairros. A locomoção para as principais atrações turísticas pode ser feita a pé, de bicicleta, ou através de Trams, uma espécie de metrô de superfície que cruza toda a cidade, e a interliga nos principais pontos turísticos e atrações.  Vamos falar de Amsterdam, bairro por bairro.

DAM

Esse bairro digamos que seria o marco zero de Amsterdam. Também chamado de Dam square, é um dos pontos de encontro da cidade, para aonde todas as linhas de Tram e ônibus confluem. A praça DAM foi fundada em 1270, e desde sempre foi um dos principais pontos de confluência de Amsterdam. Já foi palco de revoltas sangrentas durante a reforma protestante, bem como o ponto de submissão da capital holandesa a invasão nazista durante a segunda guerra mundial. Um percurso clássico para se fazer, quando em Amsterdam, é uma caminhada desde a DAM square até a gótica Amsterdam Centraal Station, através da Damrak, a bela e agitada avenida, ideal para se fazer compras e respirar o espírito de vida dos holandeses.  Suas principais atrações são:

Catedral Nieuwe Kerk:

Essa suntuosa Catedral erguida no século XV, consagrada em 1409, inicialmente como uma instituição católica, e depois como uma iconoclasta Igreja Protestante, foi palco da coroação dos reis e rainhas holandeses, e é sítio de repouso eterno de um cavaleiro Cruzado, heróis navais holandeses e um mercador da Companhia das Índias Orientais. Seu nome “Nieuwe”, novo em holandês, a princípio pode nos trazer espanto, sendo uma Igreja mais antiga que o descobrimento do Brasil, mas serve para diferenciá-la de outra Igreja mais antiga de Amsterdam, construída no século XIII, da qual falaremos posteriormente.

DSC_0596

DAM Square, com a faixada da Nieuwe Kerk ao fundo

A Igreja foi dedicada a Santa Catarina, e surgiu da necessidade de expansão da fé católica para além do outro lado do rio Amstel, margem oposta a Oude Kerk (antiga igreja). Hoje em dia, a Igreja é palco de exposições, concertos e dos mais variados eventos, não mais sendo um local de pregação e adoração, aliás, como a maior parte das igrejas holandesas. Em seu interior, destaque para o púlpito, o órgão de tubos, considerado o maior órgão de tubos da Holanda, e as impressionantes lápides de notáveis que ali estão sepultados.

IMG_7073

Destaque para o púlpito e órgão de tubos mais antigo da Holanda

Palácio Real (Koninklijk Paleis):

É um dos três palácios ainda utilizados pela família real holandesa. O Palácio Real  não é a residência oficial do Rei Willem-Alexander, mas é utilizado para recepção de visitas oficiais, autoridades e presidentes de países e encontros diplomáticos.

IMG_7114

Esse palácio de cerca de 350 anos inicialmente funcionava como a Prefeitura de Amsterdam. Em 1808, do rei Luís Napoleão Bonaparte transformou o local em um palácio, e ele assim permaneceu desde então. O interior do palácio ainda preserva a função original da construção.

DSC_0594

Bem próximo ao Palácio Real encontra-se uma filial da famoso museu de cera londrino, Madame Tussauds. Esse museu fica aberto diariamente, e permite a visitação contínua.

Amsterdam Centraal Station

Essa belíssima construção em estilo renascentista é, para muitos, a porta de entrada na cidade de Amsterdam. E que recepção!! Construída no final do século XIX (1881-1889), essa estação já nos arrebata o coração logo de cara! Projetada pelo arquiteto holandês Pierre Cuypers, essa estação foi elevada a categoria de rijksmonument (monumento nacional). Cuypers também projetou o Rijksmuseum de Amsterdam em 1885, que relembra fortemente à Amsterdam Centraal, e será relatado posteriormente em outro post.

DSC_0743

Veja se não é de tirar o fôlego a Amsterdam Centraal Station!!!

Jordaam

Esse é um dos bairros mais cool e clássicos de Amsterdam. Fica localizado entre os canais Lljnbaansgraacht e Prinsengracht, e é uma ótima opção para se passear livremente pelos canais, admirar as típicas casas holandesas e, de quebra, visitar a famosa e histórica Casa de Anne Frank.

IMG_9367

A melhor forma de conhecer o Jordaam é caminhar livre e descompromissadamente pelo bairro. Jordaam é um dos bairros mais populosos de Amsterdam, com cerca de 20 mil pessoas de classe média ou média alta. O Bairro surgiu no século 17 como um local  de moradia de operários e imigrantes. Nos anos 60 e 70, o bairro começou a receber muitos estudantes e artistas independentes em busca de aluguéis baratos e foi aí que a identidade dele começou a ser moldada como vemos hoje. É um reduto de artistas, de brechós chic, de venda de produtos orgânicos e da feira de flores.

IMG_8802IMG_8803

No Jordaam existem bicicletas e ciclistas aos montes. Inicialmente isso assusta um pouco, principalmente quando é necessário atravessar alguma rua ou avenida. Mas em pouco tempo isso é perfeitamente assimilável. O caos das bicicletas, trams, pedestres, ônibus e carros dividindo as mesmas vias faz parte do conceito civilizatório do holandês. Tudo se ajeita, porque todos se respeitam.

DSC_0765DSC_0766

O destaque do bairro é o Museu Casa de Anne Frank. Anne Frank foi uma jovem garota judia que escreveu um dos livros mais importantes e comoventes sobre a segunda guerra mundial, e, principalmente, sobre os horrores que os alemães impuseram sobre a população dos países invadidos por eles. Nesse pequeno sótão de um escritório holandês, a menina de 13 anos foi confinada durante cerca de 2 anos, junto com seus pais, sua irmã e mais quatro pessoas. Para afastar o tédio de não poder pôr os pés na rua, e, até mesmo como uma forma de manter sua sanidade mental, Anne Frank escrevia diariamente sobre todos os temas ao longo desses dois anos de confinamento. Sobre as dúvidas de toda adolescente normal, sobre as paixões por garotos, a respeito da rotina diária dos habitantes da casa, os acontecimentos externos. O livro comove, porque é um lampejo de vida e sanidade, em meio a loucura e a tragédia daqueles tempos sombrios. O livro é humano, demasiadamente humano, e inspirou gerações posteriores, porque a vida sempre insiste em vencer e imperar, apesar das intempéries de tempos adversos. O esconderijo foi descoberto quase ao fim de 1944, e todos os habitantes foram deportados para campos de concentração. Anne Frank morreu em fevereiro de 1945, no campo de Bergen-Belsen, provavelmente de tifo, 1 mês antes do fim da guerra e da libertação do campo. O pai de Anne Frank foi o único sobrevivente entre os habitantes do sótão, e, no ano de 1947, publicou o diário de sua filha. Desde então o “Diário de Anne Frank”, já foi traduzido para mais de 50 idiomas, e possui mais de 13 milhões de exemplares vendidos.

IMG_7099

Fila em frente ao museu Casa de Anne Frank

O museu é interativo. Refaz toda a trajetória do confinamento da menina, mostrando os cômodos do sótão e culmina com uma exibição que demonstra toda a cronologia do conflito e a trajetória da família Frank ao longo desses anos. Para maiores informações sobre o museu acesse o site oficial www.annefrank.org/pt

Nas imediações do Jordaam também é possível caminhar pelo maior parque de Amsterdam, o Vondelpark.  Esse parque fica perto da praça dos museus, o Museumplein, tema de próximos posts.

DSC_0797

Esse foi o post inicial sobre Amsterdam. Falaremos mais sobre essa que é uma das cidades mais encantadoras do Mundo, em posts posteriores.

Carpe Diem!!!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s