Vale do Loire – Château de Clos-Lucé

Esse pequeno Château é uma das jóias escondidas do Vale do Loire. Afinal, morou aqui ninguém menos do que o gênio florentino Leonardo da Vinci, que ali residiu durante os últimos e derradeiros anos de sua intensa vida. Fundado no século XIII e localizado na cidade de Amboise, esse castelo pertenceu a família Amboise até meados do século XV, mais precisamente até o ano de 1417, onde foi doado como presente a ordem dos cistercienses, uma ordem beneditina reformada, sob a proteção dos lordes de Amboise. A reformulação do castelo passa pelas mãos do rei Luís XI, que o deu de presente ao seu chef de cozinha favorito Etienne Le Loup. Porém, em 1490, o rei Charles VIII, compra novamente a propriedade e passa a nomeá-lo como residência de verão dos reis franceses.

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O rei transforma esse castelo em uma verdadeira obra de arte, ao construir o oratório gótico, uma jóia da arquitetura gótica a sua esposa, a rainha Ana da Bretanha. O jovem duque de Angoulême, futuro rei Francisco I, passa grande parte da sua juventude nesse Château.

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Em 1516, o rei Francisco I, apaixonado pela arte de Leonardo da Vinci, o convida para habitar e trabalhar no Castelo de Clos-Lucé, distando cerca de 500 metros do castelo de Amboise. Leonardo chegou ao castelo portando três das suas pinturas favoritas: Mona Lisa,  Sant’Ana e São João Batista, as três expostas do museu do Louvre.. Leonardo viveu em Clos Lucé durante os últimos anos da sua vida, até à sua morte, ocorrida no dia 2 de maior de 1519. Segundo a lenda, o Castelo de Clós-Luce possui uma passagem subterrânea que se comunica com o Castelo de Amboise, permitindo que o rei visitasse Leonardo da Vinci de forma discreta, sem causar alarido na comunidade local.

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Em destaque o quarto de Leonardo da Vinci

Da Vinci é nomeado como Premier Pintor, Arquiteto e Engenheiro real pelo rei Francisco I. Ele trouxe de Roma o seu fiel aprendiz e amante (segundo consta a boca pequena) Francesco Melzi, além do seu criado Batista de Vilanis. A sexualidade de Da Vinci sempre foi motivo de curiosidade e estudos, que renderam inúmeros questionamentos ao longo da sua história. Um episódio pouco revelado em relação à vida íntima de Leonardo é um registro de um tribunal florentino que descreve a acusação anônima de sodomia com um michê, Jacopo Saltarelli, feita contra Leonardo (e outros dois acusados), quando ainda se encontrava na oficina de Verrocchio. Dois meses depois, o processo foi extinto por falta de provas. Leonardo nunca se casou e se relacionou com poucas mulheres ao longo de sua vida. Leonardo manteve duas ligações de longa duração com rapazes: os seus dois alunos Gian Giacomo Caprotti da Oreno, de alcunha Salai ou Il Salaino (com o sentido de “diabinho”), que chegou à sua casa em 1490 com apenas 10 anos e Francesco Melzi, o filho de um aristocrata de Milão, que se tornou seu aprendiz em 1506. Numa carta, Melzi descreve a intimidade da sua relação com Leonardo como sviscerato et ardentissimo amore (“profundo e ardentíssimo amor”), e foi ele, mais que Salai, que acompanhou Leonardo nos seus últimos dias na França. Apesar de Melzi ter acompanhado o gênio florentino até o final de sua vida, credita-se a Salai ter sido o muso inspirador do quadro de São João Batista, sorrindo enigmaticamente e apontando para o céu com o dedo indicador.

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Nesse Castelo, Da Vinci recebeu a vista de importantes artistas e autoridades, como o Cardeal de Aragon, embaixadores italianos, e Domenico de Cortona, o arquiteto que projetou a reconstrução do Castelo de Chambord. Aliás, o próprio Da Vinci projetou a escadaria do Castelo de Chambord e o teto do castelo, que remete a cidades italianas, conforme explicamos em post prévio. Respeitado e admirado pela corte francesa, o gênio Da Vinci faleceu calma e prestigiosamente em 1519.

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Em destaque algumas invenções de Leonardo da Vinci, em exposição permanente no Château

Após a morte de Da Vinci, o Château voltou a ser ocupado como residência de verão dos reis franceses. Michel de Gast tornou-se proprietário do domínio de Clos Lucé em 1583. Em 1636, o palácio regressou à Casa de Amboise pelo casamento de Antoine d’Amboise com a neta de Michel de Gast. O edifício manteve-se na posse da família d’Amboise até 1832 tornando-se, então, propriedade da família Saint Bris. O Conde Hubert Saint Bris decidiu abrir o palácio ao público em 1954.

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Sem dúvida, a visita a esse castelo é parada obrigatória para os amantes da arte, por se tratar da residência de um dos maiores gênios da história. A visita pode ser feita casada com o castelo de Amboise, dada a proximidade entre ambos.

Para maiores informações acesse o site oficial http://www.vinci-closluce.com/en.

Carpe Diem!!!!

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