Vale do Loire – Castelo de Chenonceau

Continuando nossas peripécias pelo Vale do Loire, o tema do presente post será sobre o Chateau de Chenonceau. Também conhecido como ” Castelo das Sete Damas”, devido a história das sete mulheres notáveis que habitaram-no, esse elegante castelo fica localizado ao sul do distrito de Chambord, e faz parte dos castelos imperdíveis a ser visitado ao longo do Vale do Loire.

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A construção original do Castelo iniciou-se no século XIII, e pertenceu inicialmente ao marquês Jean Marques. Durante a guerra dos cem anos, entre Inglaterra e França, Marques deu guarida e proteção a tropas inglesas. Tal fato irritou o rei francês Carlos VI, que ordenou que se derrubasse a estrutura do castelo, mantendo apenas o moinho e propriedade da família. A propriedade então foi arrendada para a coroa francesa, como punição por tal ato de traição. A estrutura atual do Castelo foi refundada por Thomas Bohier, camareiro do rei Carlos VIII da França, em 1513. Foi sua esposa, Catherine Briçonnet, que supervisionou a reconstrução do castelo, iniciando, portanto, a importância das mulheres na história desse castelo. O casal Bohier pouco desfrutou de sua propriedade, falecendo nos estertores do século XV. Após inúmeras dívidas para com a coroa francesa, o castelo foi empenhado novamente para a monarquia, entregue ao rei Francisco I. O rei utilizava esse castelo como local de caça, e frequentava-o em companhia do filho Henrique II, de sua nora Catherine de Médicis (esposa de Henrique II) e de Diane de Poitiers (amante de Henrique II). Posteriormente, ao se tornar soberano da França, Henrique II presenteou esse castelo a sua amante, Diane de Poitiers, fazendo então desse Chateau o ninho da ardente paixão entre os dois. A própria Diane supervisionou a construção da ponte sobre o rio Cher e os imponentes jardins do castelo. A ponte que fica sobre o rio é chamada Diane de Poitiers.

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A paixão de Henrique II por Diane de Poitiers era tamanha, que o rei se vestia com as cores favoritas da amante: branco e preto, cores depois imortalizadas pela estilista francesa Coco Chanel, em suas peças e costuras. Diane era considerada uma bela mulher, e, segundo consta, o segredo de sua beleza consistia em banhar-se todas as manhãs, ao nascer do sol, nas águas frias do Cher, depois ia andar a cavalo e dormia até o começo da tarde. Uma vida difícil e atribulada.

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Torre de Marques – única estrutura remanescente do período medieval

A vida fácil de Diane não duraria muito tempo, pois o rei Henrique II viria a falecer em 1559, ferido em um torneio (a realeza e suas excentricidades), e a, agora rainha Catherine de Médicis ( a esposa traída), expulsá-la-ia do Castelo, fazendo-a perder seus títulos e benesses. Como diz o ditado: a vingança é prato que se come frio. Diane de Poitiers viria a falecer pouco tempo depois, no castelo de Anet. E Catherine, vingativa que era, fez de Chenouceau sua residência favorita, dando continuidade as melhorias promulgadas por Diane, amplificando-as. Iniciou a construção dos salões internos, que eram palco das mais afamadas festas e rega-bofes de toda a França. Em 1560, as primeiras exibições de fogos de artifícios da França tiveram lugar em Chenonceau, durante a celebração que marcou a ascensão do seu filho, Francisco II, ao trono. Entre as marcas deixadas por Catherine, destaca-se a Grande Galeria, um imenso salão de dois andares sobre o rio Cher, com sessenta metros de comprimento. Além disso, ela aperfeiçoou a ponte sobre o rio Cher, imitando a ponte Vecchio, importante símbolo de sua cidade natal, Florença. Entre os grandes feitos, Catherine organizou uma célebre recepção para a rainha inglesa Mary Stuart, em 1560, com mais de mil convidados, inclusive com realização de batalhas navais sobre o rio Cher, entre as apresentações.

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Catherine legou seu castelo favorito a sua nora Louise de Lorraine, esposa de seu filho Henrique III. Alguns meses depois, Henrique III é assassinado, fazendo com que Louise entre em estado constante de luto. Inaugura-se a fase lúgubre do Chateau, com as festas sendo interrompidas, e Louise passa a adotar constantemente o branco (sinal de luto na corte européia), passando a ser conhecida como ” Dame Blanche”. Todos os móveis foram cobertos com tapeçaria negra, e Louise vagava desconsolada pelos corredores do castelo, vestida de branco. Louise habitou o castelo por 11 anos, quando veio a falecer.

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Outra amante tomou posse em 1624, quando Gabrielle d’Estrées, a favorita de Henrique IV, habitou o palácio. Depois desta, foi possuído pelo herdeiro de Louise, César de Bourbon, Duque de Vendôme, e a sua esposa, Françoise de Lorraine, Duquesa de Vendôme, e passou tranquilamente pela linha hereditária dos Valois, alternadamente habitado e abandonado por mais de uma centena de anos. Após quase cem anos abandonado, o castelo é adquirido por Claude Dauphine, que inicia o renascimento do Chateau, através de sua esposa Madame Louise Dupin. Essa era uma mulher culta, amante das artes e das ciências. Ela tinha contatos com todos os grandes nomes do iluminismo francês, tais quais, Montesquieu, Voltaire, Rousseau, que passam a frequentar os salões do castelo, sendo inclusive Rousseau o responsável pela educação do filho do casal Dauphine. Louise salvou o palácio da destruição durante a Revolução Francesa, preservando-o da destruição pela Guarda Revolucionária, uma vez que era essencial para as viagens e para o comércio por ser a única ponte que atravessava o rio numa área de várias milhas. Diz-se que terá sido Louise quem trocou a ortografia do palácio (de Chenonceaux para Chenonceau) para agradar ao aldeões durante a Revolução Francesa. Ela retirou o “x” do final do nome do palácio para diferenciar o que era um símbolo antigo de realeza, tornando-o mais adequado para os novos tempos da república.DSC_0548

O Chenonceau passou por mais um período de abandono de quase 50 anos, sendo então adquirido por Daniel Wilson (empresário escocês), que o presenteia a sua filha Marguerite Pelouze, em 1864. O castelo é restaurado, e, inclusive, Claude Debussy, eminente compositor francês, ali se apresentou inúmeras vezes, para laurear as festas da alta sociedade. Em 1886, outro grande evento entra para os anais da história do Chateau: uma festa inspirada em Veneza, com gôndolas e tudo, para recepcionar o  então presidente francês Jules Grévy, que diziam ser amante da proprietária.

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Em 1913, a família Menier, famosa pelos seus chocolates, comprou o palácio, mantendo a sua posse até hoje. Durante a Primeira Guerra Mundial, a galeria foi usada como enfermaria hospitalar; durante a Segunda Guerra Mundial foi um meio de escape da zona ocupada pelos Nazis (norte da França) de um lado do Rio Cher, para a livre zona de Vichy na margem oposta (sul da França).

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Réplica da enfermaria do Hospital de Campanha que ocupou o Chenonceau durante as guerras mundiais

O parque que circunda o Chenonceau é um espetáculo a parte e merece longas caminhadas, para se admirar com calma toda extensão desse lindo castelo.

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Os domínios do castelo abrigam, ainda, o requintado restaurante L’orangerie, um salão de chá, e uma lanchonete, que ficam abertos de março a novembro. Também há áreas para piqueniques, perto do estacionamento. Para quem gosta de um passeio em meio à natureza e tem tempo, Chenonceau, com seu parque de 70 hectares pode ser atração para um dia inteiro.

Horários – Aberto todos os dias. De 12 de novembro a 15 de fevereiro, das 9h30 às 17h. De 16 de fevereiro a 31 de março, das 9h30 às 17h30. De 01 de abril a 31 de maio, das 9h às 19h. De 01 a 30 de junho e de 01 a 30 de setembro, das 9h às 19h30. De 01 de julho a 31 de agosto, das 9h às 20h. De 01 a 25 de outubro, das 9h às 18h30. De 26 de outubro a 11 de novembro, das 9h às 18h.
Para maiores informações acesse o site do chateau https://www.chenonceau.com/.

Como chegar:
Por trem – A partir de Paris, uma hora de viagem de TGV até a estação Saint-Pierre-des-Corps, em Tours. De Tours, pegar outro trem e em meia-hora chega-se a Chenonceau. O castelo fica ao lado da estação de trem.
De carro – De Paris são duas horas de viagem, na estrada A10, saída Blois ou Amboise.

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Carpe Diem!!!

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