Verona, La Cittá dell’amore e Romeo e Giulietta

Segunda maior cidade da região do Vêneto, perdendo apenas para Veneza, uma das mais prósperas do norte da Itália, e ainda traz consigo a história mais romântica e trágica que a literatura mundial já criou, o amor impossível de Romeu e Julieta. Essa é Verona, uma magnífica cidade medieval italiana, com seus palazzi medievais totalmente preservados, e com uma arena romana, que é palco de shows, concertos e festivais de óperas.

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A história trágica de amor entre Romeu e Julieta pertence a uma tradição de romances trágicos que se iniciou com o poeta Ovídio, ainda no império romano, com seu livro Metamorfoses, contando a história de amor entre Píramo e Tisbe. No romance de Ovídio os pais dos enamorados se odeiam mutuamente, e Píramo acaba acreditando que Tisbe está morta. Também Dante Alighieri cita a história das famílias Montecchi (Montecchios) e Cappelletti (Capuletos), que se encontram no purgatório, lamentando o colapso civil da Itália do século XIV, dando a entender que essas duas famílias eram historicamente rivais e eminentes na Verona da época de Dante. Luigi da Porto adaptou a tradição do romance histórico com o Decamerão de Boccaccio, nomeando os amantes como Romeu e Julieta, e situando as famílias com a cidade de Verona em 1530. Da Porto também criou personagens que hoje correspondem ao Mercúcio, ao Tebaldo e ao Páris de Shakespeare. Enfim, William Shakespeare, entre 1591 e 1595, reescreveu e readaptou a história dos dois amantes adolescentes, imortalizando e alçando Romeu e Julieta como uma das histórias de amor mais famosas em toda humanidade.

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O trágico fim mostra um Romeu, estupefato, acreditando que sua amada Julieta está morta. Ele decide tomar a poção contendo um veneno fatal, por não receber a mensagem de que sua amada não estaria morta. Julieta acaba acordando e, descobrindo a morte de Romeu, se suicida com o punhal dele, vendo que a poção do moço não possuía mais nenhuma gota. As duas famílias e o Príncipe se encontram na tumba e descobrem os dois mortos. Frei Lourenço reconta a história do amor impossível dos jovens para as duas famílias que agora se reconciliam pela morte dos seus filhos. A peça termina com a elegia do Príncipe para os amantes: “Jamais história alguma houve mais dolorosa / Do que a de Julieta e a do seu Romeu.”

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A suposta Tumba da Julieta, onde os amantes foram encontrados mortos.

Então vamos as principais atrações de Verona:

1 – Arena

Logo próximo ao centro da cidade antiga de Verona, encontra-se a Arena romana do século 30 d.C, que é o terceiro maior anfiteatro romano do mundo, depois do Coliseu de Roma e do anfiteatro de Santa Maria Capua Vetere, em Nápoles. A Arena praticamente abrigava toda a cidade da Verona romana. Nessa Arena, também havia a luta de gladiadores, execuções, touradas e óperas.

Hoje em dia, A Arena funciona como uma casa de espetáculos ao ar livre, com shows de óperas e de bandas famosas. Acontece um festival de ópera nos meses de setembro e outubro, cujos bilhetes podem ser adquiridos no site http://www.arena.it/arena/en.

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2 – Castelvecchio

Esse imponente castelo foi construído por Cangrande II no século XIV. Abriga em seu interior relíquias medievais, e os túmulos das famílias mais importantes de Verona, entre elas os da família Scaligeri, que governaram Verona desde 1263 por 124 anos. Esses governantes trouxeram uma época de paz e prosperidade para Verona, apesar de terem adotado de tática cruéis para ascender ao poder. O poeta Dante foi recebido pela corte da família em 1300, dedicando parte da épica Divina Comédia a Cangrande I.

O Castelo conta também com uma seção sobre arte renascentista Italiana, com um belo conjunto de Madonas do século XV. Aberto a visitação de terça a domingo das 8:30h – 19:30h e segundas das 13:30h-19:30h.

3 – Ponte Scaligero

Essa famosa ponte corta o Rio Adige, foi construída por Cangrande II entre 1354 e 1376, fazia parte dos sistemas de defesa de Castelvecchio. Foi palco das lutas entre as famílias Montecchios e Capuletos na clássica história de Romeu e Julieta.

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Essa ponte foi totalmente destruída por bombardeios alemães na segunda guerra mundial, sendo totalmente reconstruída após o fim da guerra.

4 – Piazza Erbe

A Piazza Erbe recebe esse nome porque funcionava na idade média como um antigo mercado de ervas da cidade. Hoje funciona como um dos grandes pontos de encontro da cidade, ideal para se comer um panini enquanto se aprecia a arquitetura local.

A fonte romana ao centro da praça data do império romano e possui mais de dois mil anos. Há também uma coluna com o Leão de Veneza, que marca a conquista de Verona pelos venezianos em 1405.

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5 – Piazza dei Signori

Essa antiga praça se comunica a antiga praça Erbe pelo Arco della Costa (arco da costela), assim batizado devido a uma costela de baleia pendurada no arco. Essa praça possui uma estátua de Dante, datada do século XIX, e era antiga sede do Palazzo del Capitano, uma antiga casa dos chefes militares de Verona.

Nessa praça também se encontra a Torre dei Lamberti, parte do antigo tribunal de Justiça, em cujo topo pode-se admirar a vista até os alpes italianos.

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6 – Túmulo dos Scaligeri

Esse complexo de túmulos da família Scaligeri fica ao lado da minúscula igreja românica de Santa Maria Antica, que funcionava como Igreja paroquial da família Scaligeri. Aqui se encontram os túmulos de Cangrande I, Mastino II e de Cansignorio.

7 – Duomo

A Catedral de Verona, chamada de Santa Maria Matricolare, teve sua construção iniciada em 1139. A Catedral possui um pórtico românico entalhado por Nicólo, um dos mais aclamados mestres carpinteiros da idade média.

O interior da Catedral conta com esculturas dos cavaleiros de Carlos Magno, Oliver e Rolando, desembainhando suas espadas, figuras extremamente celebradas pela poesia medieval,também do Mestre Nicólo.

Além disso, o interior dessa catedral conta com a pintura Assunção (1535-40), de Ticiano, além de um batistério do século VIII, construído por pedreiros romanos.

8 – Casa de Julieta

Essa famosa casa do século 13 localiza-se no número 23 da Via Cappello, e conta com a famosa sacada, a qual Romeu escalava para encontros furtivos com a amada Julieta. Aqui é a sede das famosas cartas para Julieta, que celebram os amores, furtivos ou não.

A Casa contém a Estátua de Julieta, na qual é costume tocar o seio esquerdo para trazer sorte no amor. Foi justamente no lado esquerdo em que Julieta se flagelou com a adaga do amado, vindo a morrer logo após.

Aproveite o passeio e deixe uma carta de amor para sua amada, afinal, em Verona, como os Veroneses…

9 – Tumba de Julieta

A chamada tumba de Julieta encontra-se no claustro de uma antiga igreja San Francesco al Corso, na Via Del Pontiere, que data do século XII. Trata-se de uma antiga cripta e mausoléu que pertenceu a antiga família Capuleto.

 O cenário da suposta Tumba de Julieta, aonde o casal Romeu e Julieta havia sido supostamente encontrado morto pela família, impressiona pela aspecto sombrio do lugar. A lenda sobre esse suposto romance italiano perdura até os dias de hoje, acendendo as paixões adolescentes por todo o mundo.

Pode-se chegar em Verona partindo de Veneza ou de Milão. A melhor maneira é partindo nos vários trens diários que saem de suas estações ferroviárias. As distâncias são curtas. Inclusive pode-se fazer um passeio bate e volta, partindo de uma dessas cidades. A partir da estação de Verona, chega-se rapidamente ao Centro histórico com uma caminhada de 15 minutos.

Carpe Diem!!!!!

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