Paris – Igrejas e Catedrais

As igrejas de Paris merecem atenção especial. São construções estupendas, grandiosas e repletas de significados. Obras de arte em forma de edifícios góticos e complexos, que tornam a cidade mais elegante, mesclando sua modernidade com seu passado vivo e grandioso.

Catedral de Notre-Dame

Essa catedral é um dos edifícios mais famosos de Paris, perfazendo em conjunto com a Torre Eiffel um dos principais símbolos da cidade. Erguida na Íle de la Cité, o berço da cidade, por volta de 1163, pelo Papa Alexandre III, sua construção durou cerca de 170 anos.

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A Catedral conta com a Galerie des Chiméres, que são as famosas gárgulas, escondidas atrás de uma ampla galeria entre as torres. A rosáceas Oeste mostra a imagem da Virgem Maria, em uma profusão de luzes azuis e vermelhas, ao passo que a rosácea sul mostra a imagem de Cristo, com 13 metros de altura. Notre-Dame, em francês, significa “Nossa Senhora”, sendo essa igreja inteiramente dedicada a Virgem Maria.

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O interior da Notre-Dame impressiona pela alta abóbada que ocupa a nave central. Conta com obras de arte em seu interior, tais quais os entalhes de Jean Ravy no anteparo do coro, a Pietá de Nicolas Costou e a estátua de Luís XIV, feita por Antoine Coysevox. A Catedral foi palco de coroação de reis, de bençãos aos cavaleiros cruzados, e palco de violência também, como os saques que sofreu durante os anos sangrentos da revolução francesa.

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Além de ter sido palco do Romance o Corcunda da Notre-Dame, de Victor Hugo, sobre o amor impossível do monstruoso Quasímodo com a belíssima cigana Esmeralda, a Catedral de Notre-Dame também foi palco do casamento proibido entre o teólogo mestre sacerdote Abelardo e sua aluna Heloísa na Paris do século XII. O amor entre ambos foi considerado proibido e blasfemo, por ser Heloísa uma dama da alta sociedade parisiense e Abelardo, um sacerdote, tendo sido Abelardo castrado e forçar a passar o resto de sua miserável vida sem a sua amada Heloísa num mosteiro em Saint-Denis, ao passo que Heloísa foi para o Mosteiro de Paraclet, tornando-se abadessa. Trocaram cartas de amor e de ajuda espiritual mútua depois da separação forçada, como forma de suportar a melancolia de estarem vivos e mutilados de viver o pleno amor que sentiam um pelo outro. Abelardo morreu em 1142 e Heloísa em 1162. O que a vida separou, a morte uniu novamente e ambos encontram-se sepultados no mesmo Jazigo no cemitério mítico do Pére-Lachaise.

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A mítica e lendária Catedral ainda conta com uma lenda muito mais sombria que as histórias de amor. Acredita-se que as duas portas de ferro forjado da catedral foram feitas pelo Diabo em pessoa, inclusive deixando o seu retrato e o da sua corte infernal esculpido junto às mesmas. Na época da sua suntuosa construção os clérigos encomendaram o serviço da colossal ferraria a um artesão chamado Biscornet. O incauto artesão não se julgou capaz de dar conta de um serviço tão grandioso e fez um pacto com o encardido, em troca de sua famigerada alma. Satã em pessoa encarregou-se de forjar os portões de ferro da Catedral, dando conta do trabalho com maestria e perfeição. Tão logo o trabalho ficou pronto, Biscornet sofreu um fulminante infarto agudo do miocárdio, entregando sua alma ao Diabo. A lenda se alastrou por toda Paris, e os bispos se viram forçados a realizar fervorosas orações e ungiram toda as portas com abundante água benta. Os portões da Notre-Dame ficaram então conhecidos como ” Os portões do inferno”.

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Lendas a parte, o tesouro da Catedral guarda preciosidades e relíquias sagradas, como a Coroa de Espinhos de Cristo, usada no advento de sua crucificação, além de um fragmento da Cruz de Cristo. Esses tesouros não são expostos ao público, sendo guardados na sacristia da igreja.

Sainte-Chapelle

Essa igreja é considerada uma jóia da arquitetura do mundo ocidental. Batizada pelos devotos da idade média como sendo “Os portões para o céu”, a luminosidade da igreja é criada por 15 suntuosos vitrais separados por colunas de 15 metros de altura, sob um céu cravado de estrelas. Os vitrais contam mais de mil cenas religiosas, marcado nas cores vermelha, azul, verde, dourado e lilás.

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Essa Igreja foi construída em 1248 por Luís IX, a fim de abrigar as relíquias trazidas da Terra Santa pelos cavaleiros templários, como a coroa de espinhos de Cristo e um fragmento da cruz de Cristo, que hoje se encontra na Catedral de Notre-Dame. Luís IX foi canonizado em 1297.

A Sainte-Chapelle explica minuciosamente como funcionava a religião na idade média. É dividida em 2 pavimentos. O pavimento inferior, contém a Capela Inferior, uma estrutura mais sóbria e simples, onde os servos e pessoas comuns ficavam durante a missa. Em tese, a plebe não via o sacerdote, apenas ouvia a pregação, e não se misturava com a nobreza e o alto clero.

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O Pavimento superior, contém a Capela Superior, que era frequentada pelo alto clero, pelos reis e pela nobreza. Essa Capela Superior mostra a grandiosidade e o luxo da Sainte-Chapelle.

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A Sainte-Chapelle fica próxima a Catedral Notre-Dame, dentro do complexo da Conciergerie. Para chegar basta saltar na estação de metrô: Cité.

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Igreja de St-Sulpice

Essa Igreja, construída em 1646, na Place St.Sulpice, no Bairro de Luxembourg, é uma das mais enigmáticas de Paris. Foi construída pelo sacerdote parisiense Jean-Jacques Olier. Essa Igreja tornou-se famosa pelo livro “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, que postulou que a igreja teria relações com Maria Madalena e o Santo Graal, conjecturando sobre a linha que cruza toda a igreja, chamando-a de “Linha Rosa”.

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O que mais intriga nessa igreja e o Gnômon de São Sulpício, uma coluna que marca as horas do dia, projetando sua sombra no solo. Foi construído por ordens do sacerdote Languet de Gercy, que precisava de um sistema que controlasse os equinócios, para poder predizer com precisão a data exata do início da Páscoa. A construção dessa coluna coube ao astrônomo e relojoeiro inglês Henry Sully, que construiu uma linha de latão no chão, paralela aos meridianos da Terra, que se estende até o o obelisco de Mármore.

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O sistema da construção do obelisco é tão perfeita, que durante o solstício de inverno (21 de dezembro), ao meio dia, a luz passa pela janela incidindo sobre a linha de latão até ao obelisco, ao passo que durante os equinócios (21 de março e 21 de dezembro), ao meio dia, a luz bate em um prato oval de cobre diante do altar. O meridiano de Saint-Sulpice passou a ser chamado Meridiano de Paris, e serviu como ponto de origem para o cálculo da longitude, sendo depois substituído pela Meridiano de Greenwich, em 1884.

vcm_s_kf_repr_832x624 O meridiano de Paris, termina nessa inscrição misteriosa de mármore no chão da Igreja. Seria o local do esconderijo do segredo do Santo Graal??? Com certeza, desperta curiosidade e a imaginação dos incautos fãs de teorias de conspiração.

A igreja também conta com um esplêndido órgão, usado em recitais, construído em 1862 por Aristide Cavaille-Coll e com pinturas de Eugene Delacroix: “Jacó lutando com o Anjo”, “Heliodoro expulso do Templo” e “São Miguel matando o dragão”.

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Essa igreja fica próximo ao Jardin de Luxembourg, uma caminha agradável e rápida por esse belíssimo bairo. Metrô: St-Sulpice.

La Madeleine

Essa suntuosa e magnífica igreja é uma das mais famosas de Paris, devido a sua localização próxima a Ópera Garnier e Place de la Concorde, e a beleza de seu templo, inspirado na arquitetura greco-romana. Sua construção foi iniciada em 1764, sendo consagrada em 1845. Os trabalhos da construção da igreja foram interrompidos durante os anos da revolução francesa, Napoleão incentivou sua construção em 1806, para celebrar a vitória na batalha de Jena.

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Essa igreja é a única do mundo consagrada a Maria Madalena, uma das mais ardentes seguidoras de Cristo, que não foi classificada como parte dos discípulos por ter sido mulher. Mas vale lembrar que Maria Madalena foi a primeira pessoa a ver o Cristo Ressuscitado, tendo sido veementemente refutada pelos outros discípulos. Segundo teorias conspiracionistas Maria Madalena teria sido esposa de Cristo, tendo inclusive carregado em seu ventre a dinastia sagrada, que deu origem a dinastia Merovíngia dos reis franceses.

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Maria Madalena subindo ao céu (1837) de Charles Marochetti

Essa igreja abriga uma relíquia pouco falada e conhecida: um fragmento da tíbia de Maria Madalena, que é localizada em uma urna, no lado direito do altar.

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O célebre músico francês Camille Saint-Saens trabalhou como organista dessa igreja entre 1858 e 1877.

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Concertos são realizados na igreja quase que diariamente no mês de dezembro. Tivemos a oportunidade de assistir ao Réquiem de Mozart. Como chegar: metrô Madeleine.

Chapelle Notre Dame de la Médaille Miraculeuse (Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa)

Essa capela é um lugar mundial de peregrinação e oração, devido aos milagres que ali aconteceram em meados do século XIX, em Paris. Esse santuário localiza-se no coração de Paris, na Rue du Bac, 140, próximo ao Metrô: Sèvres-Babylone, linhas 10 e 12.

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A Capela foi inaugurada em 1813, quando o governo cede o hôtel Châtillon, um palacete aristocrático, para as irmãs da ordem das “Filles de la Charité”. O lugar passa a ser a sede da congregação, fundada por São Vicente de Paula e por Luisa de Marillac (Louise de Marillac). De acordo com fontes da época, relatos da própria vidente e documentos da Igreja Católica, Catherine de Labouré (Catarina) viu Maria por três vezes, em julho, novembro e dezembro de 1830. A jovem francesa, vinda da Borgonha, havia chegado ao convento naquele mesmo ano e era devota de São Vicente.

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Em uma das visões, Nossa Senhora aparece soltando raios de luz das mãos, dizendo que gostaria que fosse feita uma medalha com aquela aparência e que todos que a usassem receberiam as graças, simbolizadas pelos raios. A idéia foi levada ao padre responsável pela paróquia, que declinou o pedido de Catherine de Labouré. No começo de 1832, começa uma epidemia de cólera que vai deixar mais de 20 mil mortos. Catherine consegue convencer o padre a fazer as medalhas. Em junho do mesmo ano, as freiras começam a distribuir as medalhas. As curas e conversões aumentam. Em 1835, já eram mais de um milhão de medalhas espalhadas pelo mundo. Catarina morre em 1876, aos 70 anos. Seu corpo foi exumado em 1933, e descobriu-se que estava intacto. Catarina foi canonizada em 1947.

DSC_0082Corpo de Santa Catarina de Labouré intacto é exposto na capela da Medalha Milagrosa.

O altar principal foi realizado em 1856 pelo escultor Maldiney. Ele foi realizado a partir de um dos dois blocos de mármore e é decorado com esculturas douradas e medalhões.

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As missas ocorrem diariamente em Francês, Inglês e algumas especialmente em Português. Existem freiras e padres brasileiros que estão prontos a acolher os peregrinos e contar as histórias desse lugar sagrado.

Sacré-Coeur

Essa basílica localizada no Bairro de Montmartre teve sua construção iniciada em 1875, como um pagamento de uma promessa feita em 1870 a Cristo caso Paris fosse poupada da invasão prussiana, durante a guerra franco-prussiana. A igreja foi dedicada ao Sagrado Coração de Cristo, e foi consagrada somente em 1919. Essa igreja marca o bairro de Montmartre com sua arquitetura pitoresca, inspirado na Igreja romano-bizantina de St-Front, em Périgueux.

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O mosaico de Cristo domina toda abóbada do coro, próxima ao altar, obra de Luc Olivier Merson e Marcel Magne.

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A basílica possui um formato de cruz grega, formada por 4 cúpulas incluindo a central, cuja altura possui 80m. No campanário, possui um sino de 3m de diâmetro com mais de 26 toneladas.

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Como Chegar de metrô:

–  Estação Jules Joffrin, e depois Montmartrobus (parada “place du Tertre”).
– Estação Pigalle, e depois Montmartrobus (parada “Norvins”).
– Estações Anvers ou Abbesses e depois pegue o Funiculare.

 

Carpe Diem!!!!!

 

 

 

 

 

 

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