Le Mont Saint Michel – O Mistério das Marés

O Mont Saint Michel é um dos lugares mais mágicos e pitorescos da Europa. É o terceiro local mais visitado em toda a França e considerado a mais antiga atração turística desse país. Trata-se de um monte rochoso localizado na foz do Rio Couesnon, no departamento da Mancha, na França, onde foi construída uma abadia (abadia do Mont Saint Michel) em homenagem ao arcanjo São Miguel. O monte era ligado ao continente através de um istmo natural que era coberto pelas marés altas. Ao longo dos séculos a planície alagável em torno foi sendo drenada para criação de pastagens, reduzindo a distância do rochedo à terra, e o rio Couesnon foi canalizado, diminuindo seu aporte de água e acelerando o assoreamento da baía

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A região do Mont Saint Michel é considerada sagrada desde os tempos dos celtas, os primeiros habitantes dessa região, que fica na divisa da Normandia com a Bretanha. As águas que banham o Monte recebem afluentes das marés, que em conjunto com o Rio Couesnon formam uma planície inundada, que desde a época céltica era considerada como portadora de poderes medicinais.

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O início da construção da abadia deu-se no ano de 708 pelo bispo de Avranches, Aubert, após receber três aparições do arcanjo São Miguel em sonhos, ordenando-o que consagrasse o Monte Tombe (como era chamado “túmulo ou tumba”) em sua honra. Foi necessário que o arcanjo Miguel perfurasse o crânio do bispo, para que ele acreditasse nos sonhos. O bispo encontrou o local exato para construir a abadia a 80 metros acima do nível do mar, indicado pela presença de um touro no alto do Monte. Muitos julgam que Miguel, tanto pela dignidade de natureza, como de graça e de glória é absolutamente o primeiro e o Príncipe de todos os anjos. E isso se prova, primeiro, pelo Apocalipse (12, 7), onde se diz que Miguel lutou contra Lúcifer e seus anjos, resistindo à sua soberba com o brado cheio de humildade: ‘Quem (é) como Deus?’ Portanto, assim como Lúcifer é o chefe dos demônios, Miguel o é dos anjos, sendo o primeiro entre os Serafins. Miguel é hoje cultuado como o protetor da Igreja como outrora o foi das Sinagogas.

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As obras da abadia terminaram no século XIII, sendo uma abadia beneditina desde o século X. As lendas medievais contam que  Santo Graal foi escondido nessa abadia durante séculos. É inclusive mencionado, que este local era utilizado para as reuniões secretas dos Cavaleiros Templários. Acredita-se que durante a perseguição que os templários sofreram no século XIV, inclusive com a fatídica sexta feira 13 do ano de 1307, em que a maioria dos templários foi queimada por heresia na França, cinquenta cavaleiros fugiram da França para Portugal através de embarcações que partiram do Mont Saint Michel com destino ao Convento de Cristo, na cidade de Tomar, em Portugal. O Mont Saint Michel é uma das áreas de peregrinação mais antigas da França e de toda a Europa.

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A secção principal da estrutura é orientada a 26 graus para norte, sendo a mesma orientação que a da Catedral de Notre Dame em Paris. Esta orientação pode ser seguida em ambas as direções, criando um alinhamento com o lugar onde São Miguel terá enfrentado Lúcifer. Uma série de contos do século XII fala de uma cobra gigantesca que devorava rebanhos, peregrinos e moradores sem defesa, em ataques noturnos. Após uma noite inteira de novenas a são Miguel a população encontrou a cobra imóvel aos primeiros raios de sol, com a cabeça decepada ao lado de uma espada de aço e de um pequeno escudo ali abandonados pelo misterioso guerreiro…

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Chegamos ao Mont Saint Michel de noite,vindo de Rouen pela estrada A13, e depois pela A84. Em nossa opinião, e da maioria dos outros colegas que escrevem blogs de viagens, é indispensável passar uma noite no Mont Saint-Michel…Só a noite, quando todas as lojas se fecham e a maioria dos turistas deixam o monte, será possível caminhar por todas as ruelas medievais e sentir todo o clima medieval e místico que esse lugar oferece. Os carros devem ser estacionados em vários estacionamentos ao redor do Monte. A chegada a fortaleza medieval se dá por Shuttles, pequenos ônibus, que partem a todo o momento dos estacionamentos. Pode-se caminhar também desde os estacionamentos até a entrada do monte, em um percurso de cerca de 2km.

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Nossa opção de hotel é o Mére Poulard, um dos mais antigos do monte. No interior desse hotel encontra-se o restaurante mais famoso do local, onde deve-se provar os famosos omeletes gigantes. Esse restaurante foi fundado em 1879 pela madame Anne “Annette” Boutiaut (1851-1931), esposa do sr. Victor Poulard. Os omeletes eram servidos aos peregrinos que chegavam ao monte após longa e perigosa caminhada pelas areias movediças ao redor.

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Mesmo que não se hospede nesse local, é indispensável a ida ao restaurante para provar os famosos omeletes, que já foram provados por Ernest Hemingway e Yves Saint Laurent. Peça como bebida a famosa Cidra do local, bebida típica da região da bretanha.

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A cozinha, com suas panelas de cobre, onde é feito o omelete, com cerca de 10 ovos.

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Após um jantar para lá de substancioso, nada como uma caminhada noturna pelas ruas medievais, e silenciosas desse local mágico que só a experiência de dormir no monte pode trazer.

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Após atravessar o imponente portão medieval alcança-se a Grand Rue, a rua principal do monte. Nela encontram-se museus, restaurantes, lojas e casas datando dos séculos XV e XVI.

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Por se tratar de uma construção tipicamente medieval, há que se fazer analogia com o livro Paraíso da Divina Comédia de Dante Alighieri, no qual o famoso poeta caminhava por 9 céus, desde o Céu da Lua até o último Céu, o Céu Cristalino. Após esse último céu, o poeta alcançou o Empíreo, no qual foi exposto aos mistérios da Santa Trindade, a efígie humana e por fim uma extraordinária fulguração: Deus. Assim é a caminhada no Mont Saint Michel pela Grand Rue, até alcançar o Empíreo Dantesco, a Abadia do Mont Saint Michel

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Ainda no caminho encontramos a Igreja de St Pierre (São Pedro), o santo dos pescadores. Essa igreja fica aberta a noite, e apresenta a estátua da Santa Joana D’arc na entrada, com origens do século XV e XVI.

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Continuamos pela subida, com os diversos céus Dantescos, e já avistamos as sombras da Abadia, o caminho da peregrinação, o Empíreo.

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A Abadia deve ser visitada durante o dia. Aberta diariamente das 9hs às 19hs (entre 02/05 e 31/08), das 9h30 às 18hs (entre 01/09 e 30/04). Fechado nos dias 01/01, 01/05 e 25/12. Os ingressos devem ser adquiridos na hora da entrada. Praticamente todas as seções do complexo podem ser visitadas pelo turista, o que inclui a abadia, a igreja, o claustro, o refeitório, o passeio dos monges, as muralhas. Vencidos os mais de 900 degraus da subida, o turista é contemplado com uma visão em 360 graus da baía.

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A beleza arquitetônica da Capela do século XI nos remete aos primórdios da arte gótica. Aqui há que se notar os 3 níveis hierárquicos do pensamento medieval, representado pelo Clero, a Nobreza e a Plebe.

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O Claustro da Abadia apresenta vistas incríveis da Baía, e do movimento das marés. Nesse local os monges beneditinos meditavam e exercitavam a regra beneditina: “Ora et Labora” (Orar e trabalhar).

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O refeitório do século X, com sua perfeita iluminação.

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O Salão dos Cavaleiros era o local onde os Cavaleiros Templários se reuniam, e eram recebidos após longas viagens. Aqui também os monges realizavam a cópia das sagradas escrituras e dos livros clássicos gregos, como de Aristóteles e Platão.

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De tão bela a abadia passou a ser chamada “La Merveille”, a Maravilha.

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A abadia com suas iconografias escondidas ao longo de todo percurso…Inclusive com a lenda de que o Santo Graal foi escondido nesse local durante a idade média.

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O Mont Saint Michel é a porta de entrada para o Caminho de Santiago pela França. Segundo estudos, acredita-se que tanto pela iconografia dos celtas que inicialmente habitaram essa região, como da própria lenda do Arcanjo Miguel, que leva os mortos até o paraíso, esse local seja a porta de entrada para outra dimensão, o mundo dos mortos. Tanto que os antigos chamavam esse local de “Monte Tombe” (Tumba). Até o início do Século XX, os habitantes de Pleine-Fougères, uma vila localizada a cerca de dez milhas do Monte, tinham o costume de enterrar seus entes queridos em montanhas adjacentes com vista direta para o Monte Saint Michel, como forma de facilitar a passagem desse mundo para outra dimensão.

Após a visita pela Abadia, retornamos pelas vias do Monte, passeando um pouco pelas ruas e vielas, com seus restaurantes e lojas de Souvenires… Vale a Pena provar o biscoito amanteigado da Normandia, produzido pela Mére Poulard.

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Há quem vá e volte, a partir de Paris, no mesmo dia. A viagem é longa – são 3h45 de percurso (2h20 de trem até Rennes, mais 1h20 de ônibus, em conexão imediata). E nem sempre os horários do bate-volta permitem que se aprecie a maré. O site das ferrovias francesas vende a passagem integrada trem + ônibus (para conseguir a tarifa mais baixa, compre com 90 dias de antecedência).

Assim nos despedimos desse que é um dos lugares mais incríveis que já conhecemos, pedindo a proteção do Arcanjo São Miguel, para que interceda por nós em todos os nossos caminhos.

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Carpe Diem!!!!

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3 thoughts on “Le Mont Saint Michel – O Mistério das Marés

  1. Belo blog, Rafa! Um banho de cultura, parabéns! Belas fotos também.
    Cara, agora quando você puder, me devolve minha caneta Bic, aaaaaaahhh, ela custou R$1,00…

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